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C27 - Fabula by ~lelutcha:iconlelutcha:



Completamente congelada, Emma encarou o envelope com pavor, e resolveu que não o abriria no trem - seria pega com a boca na botija, em pleno espanto, se algum dos Marotos a visse na cabine. Pegou sua caixa de doces e deixou um generoso troco para a vendedora. Que se danassem as moedas, ela tinha algo mais importante que matemática para pensar! Veio até a cabine com passos pesados, evitando olhar para qualquer lado que fosse. Levou o resto da viagem com disfarçada alegria: queria mesmo era esconder-se no banheiro e descobrir que diabos continha aquele envelope.

No castelo, os amigos ajudaram-na com a carga - não que fosse tanto peso, visto que era o semestre final do curso - e Emma não quis jantar. Preferiu chegar atrasada, talvez para a sobremesa. Subiu com muita pressa a escadaria, carregando Peseta dentro de seu transporte vermelho, até o quarto, desviando das pessoas com habilidade incrível, e sentando na primeira cama que vira. Colocou o transporte no chão, e em seguida libertou o gatinho, que saiu com preguiça. Emma tremia, e com certa dificuldade abriu o envelope. Não era uma carta, não estava escrita à mão... não era nada pessoal, não era a caligrafia de Remus... argh. Ela pegou o papel e o leu em voz baixa.

"Prezada srta. Emma Ducotterd,

Os leões veteranos orgulhosamente convidam-na para a melhor e mais convidativa festa à fantasia V.I.P. de todo o castelo!
Venha bebemorar nosso último semestre numa empreitada promovida pelos Marotos!

A fantasia é obrigatória. Sem ela, não aceitaremos que você entre. Nem que você implore de joelhos (ok, se for assim a gente deixa).
Venha e divirta-se!
Próximo sábado, às dez horas da noite, no salão de festas do prof. Slughorn.

Traga suas charmosas amigas com você. E se fizer questão, algum amigo, vai.

Esperamos você lá.
Marotos"


- Marotos?! - repetiu ela, incrédula. - Uma festa à fantasia dos Marotos?! - Emma suspirou amargurada. Esperava tão mais uma declaração de amor, uma carta escrita à mão pelo seu querido monitor... Ficou algum tempo encarando aquele convite extravagante, de papel chamuscado em dourado e as letras vermelho-sangue. O selo de um leão rugindo se mexia na carta, balançando sua imperial juba.

Grifinória... a Casa que mais lhe trouxera problemas. James, aquele maldito presunçoso, Sirius, o arranjador de confusão, Peter, o quase insignificante e... Remus. A Casa Vermelha lhe apresentara ao rapaz que mais ambiguamente acalmava e amaldiçoava seu coração. Queria chorar, sufocar-se no descompasso de seus pulmões, encharcar o quarto de lágrimas e sangue... foi num rebuliço que as outras corvinais apareceram, atoladas de mochilas casacos e cachecóis. Rose Lee cantava o hino de seu time de quadribol, irritando Nadya, e Peseta correu assustado para o banheiro.

- Em? - chamou Rose, ainda risonha. Ela pousou sua bolsa de mão na cama. - Recebeu uma carta?

- Eh... na verdade não é uma carta. - começou Emma, passando o convite para a ruiva. No mesmo momento, sentiu vontade de rir. Sentia-se ridícula por ter sido convidada pelos Marotos depois de ter todo um passado negro com um deles.

- Um... convite? - indagou Nadya, alternando o olhar entre o papel e a amiga. - Festa? Com mil gárgulas, eles nem chegam no castelo e já querem pôr fogo em tudo! - Rose riu.

- Vocês querem ir? - perguntou Emma, chamando Peseta com a mão e em seguida fazendo carinho no focinho preto do gato.

- Eu tenho grupo de estudos de Feitiços, Em, infelizmente não terei pique para os dois - sentenciou a moça negra. - e darei prioridade à minha carreira.

- Sabe que eu iria lá apenas como uma despedida... rir e dançar um pouco, ver os outros passando ridículo... - mentiu Ducotterd, cuja intenção de ir à festa era unicamente ver e apreciar a pessoa de Remus. - E você, Lee?

- Nah, Joey nunca deixaria que eu fosse sem ele numa festa dessas. Prefiro não arriscar. Desculpe, loira. - disse Rose em tom baixo, não querendo magoar a amiga.

- Hola, preciosas. - disse Domenica de súbito, em espanhol, tendo aparecido no quarto e assustado ao trio. - Ouvi uma conversa de festa, Joey, dançar... algo que valha a pena? - um lampejo de esperança surgiu para a apaixonada herdeira quando fitou sua amiga. Escondendo o entusiasmo, fingiu-se distraída com o gatinho, que ronronava em seu colo.

- Os Marotos resolveram dar uma festa à fantasia na semana que vem, mas não estou nada animada com a ideia de ir sozinha... - explicou a loira, acarinhando as orelhas de Peseta.

- Ora, ora... uma festa à fantasia promovida pelos próprios Marotos? Parece interessante. - sentenciou a espanhola, remexendo nos bolsos para encontrar um maço de cigarrilhas. - Sábado que vem?

- Pois é. - murmurou Emma. As outras duas viam a cena com muita curiosidade.

- Estava mesmo precisando de um estímulo pra esse semestre. Então vou com você. - disse ela com sua frieza habitual.

- Mesmo?! - indagou, empolgada. - Que ótimo! Quer dizer... vamos lá só dar uma olhada no espaço, ver como as pessoas estão vestidas... mal posso esperar pra ver o professor Slughorn fantasiado! Ah, e falando nisso... eu não sei se serei criativa o suficiente para bolar uma fantasia até a semana que vem.

- Talvez possamos bolar alguma coisa de noite! - sugeriu Rose, sentando-se em sua cama e abrindo uma das bolsas. - Existem tantas fantasias por aí! Pirata, princesa...

- Eu já sei como vestiremos a Emma para a ocasião. - disse Domenica com firmeza. - E eu só vou com ela se ela for de Sininho.

- QUÊ?! - indagou Emma, quase não acreditando. - Sininho? A fada da história do Peter Pan? - Rose e Nadya caíram na gargalhada com a imagem de Emma vestida de fadinha.

- Você ficaria linda de fada, Duc. - falou Domenica, acendendo uma cigarrilha. - Não é, meninas? - As duas trataram de concordar, mesmo segurando as risadas. - Ótimo, vamos à festa!

- Mas... Domenica... - começou Emma, franzindo as sobrancelhas. - A Sininho é pequena, não é? Uma fadinha minúscula!

- Ora, estamos no mundo mágico ou não estamos? Liberte sua imaginação! - exclamou a moça, e entrou no banheiro sem cerimônias. Iriam à festa então, com Emma vestida de fada, para a alegria dos marmanjos.

~~

A semana passou num raio para as corvinais. Testes e mais testes surpresa, todas as tardes na biblioteca, estudos práticos de feitiços e transfiguração... e a noite da festa arrastou-se na Torre Norte como uma luta contra o relógio.

Os Marotos inauguraram o salão quando entraram para o Clube do Slugue, e agora encerrariam seu ciclo de festas com uma comemoração de arromba. Dumbledore pediu cautela, mas bondosamente sugeriu que se divertissem. E o fariam em grande estilo. James foi o criador de todas as fantasias: vestiu-se de cientista maluco - seus cabelos bagunçados e óculos ajudaram para isso -, empolgou-se e deu a Lily uma roupa de diabinha - dizia ele combinar brilhantemente com os cabelos ruivos; Peter enrolou-se em centenas de metros de faixas de algodão para transformar-se em uma múmia; Sirius incorporou um samurai de kimono e calças cor de vinho; e Remus recebeu a vestimenta completa de um hippie dos anos 60.

James parecia um nervoso anfitrião no começo da festa - Slughorn veio ao seu encontro vestido de Júlio César (coisa que Sirius achou medonha) - e relaxou conforme a música fluiu e algumas bebidas chegaram ao seu alcance graças aos elfos que trabalhavam. Pediu que o disk-jockey fosse enfadonho e selecionasse muito bem a trilha sonora daquela que seria a última festa a la Marotos do colégio. Fitou Lily, tão graciosa em sua roupa de diabinha, e ficou um tempo encantado. O time da Grifinória estava reunido em peso na festa, comemorando sua ótima campanha no campeonato das Casas e nas notas. O Maroto viu algumas moças da Lufa-Lufa, muito tímidas, no canto, e deu-lhes secretamente um sorriso. Remus e Sirius se aproximaram com Peter em seus calcanhares, trazendo copos cheios de gelo. Pareciam pressentir que alguém importante entraria pela porta e lhes perturbaria até o fim.

À porta, um dos grifinórios responsáveis pelos convites permitiu que uma garota loira entrasse, envolvida em um grosso casaco púrpura. O moço a ajudou a tirá-lo, e foi aí que os Marotos sentiram seus joelhos tremerem e seus pelos se eriçarem: Emma estava deslumbrante em um vestidinho verde-claro desfiado na altura da coxa, um coque delicado no topo da cabeça, a franjinha penteada, peszinhos envolvidos numa botinha branca, imitando perfeitamente a personagem. Os olhos brilhavam e realçavam ainda mais a sombra verde nas pálpebras. Os quatro Marotos sentiram-se quase ofendidos com tal visão.

Remus abriu um grande sorriso embaixo de seus bigode e barba postiços, quase preparado para abrir os braços e encaixar Emma entre eles. Empolgou-se tanto que quase não se reconhecia. Mas um par de sapatos verdes apareceu logo atrás dela. Era um homem. Era... Peter Pan? Quem era o cara vestido de Peter Pan?!

Emma virou-se para o seu acompanhante e fez um sinal para o embasbacado quarteto. Nathaly se aproximou dos Marotos ao vê-los tão estáticos, e tocou o braço do "namorado". Passou a encarar também o casal tão chamativo.

- Olá, rapazes! - sorriu Emma, que era tão ou mais bonita quanto a personagem. - Como está a alegria por aí?

Demorou alguns instantes até ela receber uma resposta decente. "Peter Pan" escondia o rosto com parte de seu boné pontudo e permanecia impassível.

- Eh... - adiantou-se James. - Opa, tá ótima... t-tá ótima... - e ficou sem graça. Remus tossiu e Peter mastigou mais um pouco de gelo.

- UAU, EMMA! - gritou Sirius, elegante e excêntrico com seu rabo-de-cavalo e kimono. Emma assustou-se um pouco. - Você está... linda! - Nathaly agarrou-se mais firmemente no braço do rapaz. Emma sorriu, encabulada. - Mas minha curiosidade se recaiu acerca do jovem Sr. Pan... quem seria o nosso tão ilustre convidado? - os outros Marotos agradeceram mentalmente por Sirius ter tido a ousadia de perguntar isso.

- Ora, quem mais seria? - indagou Domenica, saindo de baixo do chapéu de veludo verde, de cabelo amarrado. Sirius quase desfaleceu na hora, talvez de susto, talvez de alegria, ou até de desespero. - Disseram pra convidar amigas, e a Em não podia deixar de me trazer. A festa tá legal. - Remus suspirou tão forte que poderia murchar até derreter. James sentiu-se desconfortável e queria sair de perto. Peter viu sua querida Rosalia e a seguiu até o outro lado do salão.

- Tá ótima. - repetiu Black, de maneira mecânica.

- E quem é essa moça tão bonita? - indagou Domenica, estreitando os olhos em direção a Nathaly. - Tão bonita vestida de gueixa... - Emma notou a ironia na voz de sua amiga, mas continuou sorrindo.

- Er... ela é... a Nathaly! - exclamou o "samurai", e Remus segurou uma risada. - Esta é a Nathaly Osgarden, esta é a... - o olhar da espanhola o fulminou. - Domenica Valente, da Corvinal.

- Ele é meu namorado. - disse Nathaly, encarando a rival e entrando na frente de Sirius, que sentiu como se tivessem lhe atravessado o intestino com sua espada de mentira. Namorado?! Eram qualquer coisa, mas NUNCA namorados. Ainda mais na frente de Domenica! Ah... Domenica... que saudades tinha daquela garota intrigante.

- Meus parabéns. - murmurou a "sra. Pan". - Sirius é um ótimo rapaz... Com sua licença. - e saiu, levando "Sininho" consigo. Um grupo de corvinais estava reunido num dos cantos, e as duas resolveram se infiltrar nele.

~~

A festa prometida fora cumprida - muitas pessoas passando mal, uma moça desmaiara, vômitos (como não podiam faltar), casais pegos no flagra e um rapaz entrara em coma alcoólico. James ficou muito bêbado, assim como seus colegas, e não cansava de admirar as moças em suas fantasias trabalhadas. Lily permaneceu grande parte da festa ajudando uma grifinória quintanista que estava zonza e enjoada e James mal a vira. Sirius depositou mais uma garrafa no bolso do jaleco de James, que nem percebera o peso que estava carregando graças aos amigos; Peter sentou-se ao lado do anfitrião e Remus chacoalhava orgulhoso um copinho três quartos de whisky com limão. Emma estava linda, e só de saber que ela viera à festa com uma amiga e sorria, já bastava para que seu coração descansasse em paz por uma noite. Até que...

- Cara, eu nunca pensei que a Ducotterd pudesse ficar mais bonita. - confessou Potter, coçando a testa com a boca da garrafa de cerveja. - Ela de vestidinho, sapatinho... ah, que coisa. Peter!

- Sim? - respondeu o baixinho, tentando amarrar uma das pontas de sua fantasia.

- Você reparou como ela está bonita? - indagou James, olhando de esguelha para o "hippie" e tentando sorrir. - Não, bonita não. Linda! - ergueu o dedo indicador e o encostou no nariz de Peter. - Ela está... linda.

- Você está bêbado demais, Pontas. - interrompeu Remus, afastando o copo de whisky.

- Qualquer um desse colégio concordaria comigo! - exclamou Potter, ignorando Remus. - Aliás, Rabicó, por que você não vai lá e dá uma bela de uma beijoca nela? Ela deve te achar bonitinho, você é baixinho, coisa de mulher... - James estava além de sua cota de imbecilidades. Peter ergueu uma das sobrancelhas, como se não tivesse entendido, apenas notou que Remus levantou-se num pulo e saiu trotando em direção ao bar.

Ele esteve a ponto de socar alguém para descarregar seu ódio, sua carga de adrenalina pulsante, sua ira contida. Desviou de alguns convidados,  outros fez questão de empurrar com força; sentou-se num banco alto de madeira, e olhou ao longe. Permaneceu vidrado em alguém que não sabia, alguém que estava à sua frente, distraído. Quando deu-se conta, o licântropo ergueu os olhos e deu de cara com o par de olhos que ele julgava mais bonito em toda a Eternidade: os olhos azuis de Emma. Estivera olhando para ela por uns bons momentos... Ela sorriu e despediu-se com um aceno. Pensava ela que o monitor olhava abismado para Domenica, a verdadeira sensação da festa. Mal sabia que junto dela ia a alegria e o pulsar do coração de Remus.

~~~~
©2009 ~lelutcha
:iconlelutcha:

Author's Comments

Errr... não me batam? :D
Espero que gostem!
Achei o final meio estranho, mas tá valendo.

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August 12
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