Quão divertidos foram os dias seguidos da festa grifinória: algumas fotos circularam e Domenica foi aclamada como a mais original, por vestir-se de Peter Pan - não que isso a deixasse menos cotada pelos rapazes; Tess e O'Neil brincaram dizendo que mandariam uma foto das duas para a sra. Ducotterd, alegando que sua filha estava namorando um desconhecido. David estava mais quieto que o normal, mas divertiu-se com as estórias que as duas contaram do sábado; reuniu os amigos e decidiu que lhes contaria o porquê de estar tão quieto desde o recomeço das aulas. Emma lembrou-se imediatamente que seu padrasto havia a alertado que seu amigo Fudge lhe explicaria algo. Todos sentaram-se num canto isolado da sala comunal para ouvirem-no.
- Bem... aconteceu que... eu... eu fui alertado esses dias que... - a expectativa deixou os outros inquietos. A voz de David parecia a de um condenado à forca. - ...que meu pai não é realmente o meu pai.
- O QUÊ?! - indagou o hepteto, em coro.
- Mais que diabos?! - gritou Stanford, dando uma pancada no braço da poltrona em que estava sentado.
- Deixem ele falar! - berrou Nadya, chamando mais atenção para o grupo.
- Eh... meus pais acharam bom que eu soubesse, mas a merda é que foi um belo de um choque... - disse David, cabisbaixo. Seus olhos pareciam cansados. Devia ter chorado bastante.
- Seu pai não é seu pai biológico... então quem é? - perguntou Emma, ao lado de David. - Eles chegaram a te dizer?
- Chegaram. - sentenciou ele. - Me contaram uma longa história de que meu pai de criação seria estéril desde a adolescência, e que ele era louco pra ter filhos... aí como o tempo passou e nada aconteceu... meu tio resolveu dar uma ajuda.
- COMO É QUE É?! - o hepteto gritou quase em um segundo uníssono.
- O seu tio... paterno?! - indagou Angelo, boquiaberto. - O... o Cornélio?
- É, esse mesmo. - disse David, sem um pingo de emoção. Os outros passaram a tagarelar entre si, abismados com a notícia, e Emma fez um delicado carinho nos ombros do amigo.
- Então... o seu pai verdadeiro é o Cornélio Fudge? - resumiu Joey, de cenho franzido.
- É. Basicamente. - murmurou o rapaz, como se suas forças houvessem sido usadas para contar a notícia.
- E como você tá depois de saber disso? - perguntou Rose.
- Depois do impacto, você realmente não tem mais o que fazer além de aceitar. O meu pai ainda é o meu pai, mas eles acharam que eu devia saber da verdade, então... - respondeu David.
- Deixe-me ver se eu entendi... Sua mãe dormiu com o seu tio?! - indagou Joey com sua costumeira sinceridade. David não pareceu se importar, e até sorriu.
- JOEY! - gritaram as meninas, horrorizadas.
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Na semana seguinte, a herdeira dos Ducotterd pensou que teria algum descanso no que diz respeito às emoções: havia se estabilizado em relação a Remus - eles se viam com regularidade na sala dos monitores -, a James, que desfilava com a ruiva Evans e parecia imensamente feliz; mas somente uma das suas relações havia desmoronado de tal maneira que era inevitável pensar na ruína daquela preciosa amizade: Severo Snape vinha em sua direção, e seu coração deu um pulo. Ele vinha conversar? Eles iriam reatar sua querida cumplicidade e terminar esse ano para sempre amigos? Ou vinha lhe insultar? Ah, que droga.
- Bom dia. - cumprimentou o sonserino com educação e certo olhar submisso. - Estes são pra você. - continuou, entregando nas mãos dela oito ou nove pergaminhos enrolados. - Com sua licença. - e saiu, sem nem esperar resposta.
A monitora ficou embasbacada em meio o salão principal como se tivessem lhe informado que tinham jogado Peseta no lago e a Lula Giganta havia o devorado em uma tacada. Ela se mexeu depois de alguns segundos, e pode divisar James e Lily na mesa da Grifinória parecendo dois noivos enroscados. Eram a nova sensação das fofocas. Ouvira outro dia que Lily havia ganhado uma aliança de seu namorado, e que o adorava. Emma abriu com pressa o primeiro pergaminho e quase caiu ali mesmo: um relatório de mal-comportamento de um aluno corvinal, do primeiro ano, assinado pelo monitor Dorough. Severo devia querer que Emma os levasse ao Monitor-Chefe quando fosse à sala de reunião.
Ótimo. Agora ela havia se tornado carteira do monitor folgado e uma aluna qualquer para Severo. Severo, seu amigo que tanto se importava, que tanto a ouvia, que compartilhava com ela o desgosto por James Potter... tudo havia virado de pernas pro ar. Ela começara o ano com Severo, namorara Potter, mal conhecia Lily... e agora James e Lily namoravam, Snape permanecia nas sombras escondido e amargurado, nenhum avanço em relação a Remus (como esperado). O sétimo ano estava mais caótico que o previsto. E mais marcante também.
Emma resolveu levar os papéis de imediato que Snape havia lhe entregado. Chegando à sala, mais um sopetão: Remus Lupin e Vincent Schwartz observavam as instruções de Desmond Curtis, o Monitor-Chefe, e os três olharam para a loira quando esta chegou ao escritório.
- Desculpem interromper. - disse ela num tom tímido. - Severo Snape me entregou estes relatórios, são do Rodrigo Dorough. Talvez ele tivesse algum outro compromisso e não pôde entregar.
- Não está interrompendo nada, estamos terminando. Deixem-me buscar um outro documento, esperem-me aqui. - disse o Monitor-Chefe, encarando Emma com seus espantosos olhos verdes, que tanto combinavam com os detalhes verdes de seu uniforme. - Obrigado, Ducotterd. - disse ele, recebendo os papéis. E afastou-se, dirigindo-se a uma estante de madeira polida.
O trio permaneceu em silêncio por pouco tempo; Remus esteve a ponto de perguntar como haviam sido as aulas de Emma, mas Vincent foi mais rápido.
- Emma... - começou o sonserino, virando as costas para Remus, numa atitude arrogante. Lupin cruzou os braços e ficou escutando. - Como estão os estudos nesse fim de semestre?
- Ah, estão bem! - respondeu ela com certa inocência. - Um pouco sobrecarregada em Poções, mas tudo bem! Slughorn é muito meigo resolvendo nossas duv-
- Você está tão bonita hoje. - galanteou Schwartz, e Remus fechou os punhos e esteve a ponto de quebrar a mesa do Monitor-Chefe na cabeça do sonserino prepotente. - Acho que é porque está solteira. - Emma corou e o licântropo quase espumou, mas Curtis chegou perto a tempo de nenhuma desgraça acontecer. Remus voltou à pose de menino bonzinho e Desmond olhou-lhe de esguelha, como se tivesse notado alguma reação por parte do outro. Tinha os cabelos escuros à moda da época, e os olhos amendoados. Era um rapaz alto e truculento.
- Eu... preciso ir... se me dão licença! - começou Ducotterd, apressada para sumir dali. Gostaria de ficar porque Remus também estava ali, mas agora que vira o interesse de Schwarts, queria evitar novos embaraços.
- Claro, pode ir, Ducotterd. Esteja aqui amanhã, às duas da tarde. - disse Desmond, voltando a atenção para os dois monitores restantes. Remus contou até vinte e cinco para não arrebentar a cara do maldito paquerador ao seu lado.
Mas que diabos? Deixem a Emma em paz! Ela não tem muita sorte com cafajestes, se é que quer saber! Além disso, não é o tipo que ela merece... Lupin ouviu o chefe em silêncio, mas não parou de pensar em sua loura amada...
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Alguns dias depois, o octeto corvinal e o quinteto grifinório - se contarmos Lily - pensaram que não haveria mais confusões para aquele ano. Que bastassem as emoções, não é mesmo? Foi quando, durante o almoço, o diretor Dumbledore aproximou-se de Nadya e disse-lhe que alguém havia bolado uma surpresa para ela. A moça ficou encantada, e imaginava que era obra de seus amigos. Março terminava e ela ainda receberia uma surpresa! Foi quando Cesário Zibban entrou pela lateral do salão, provido de flores e alguns músicos que o seguiam, para parabenizar sua querida Nadya.
A corvinal aproximou-se do rapaz, que trabalhava no departamento de diplomacia do Ministério da Magia e tinha acesso ao castelo, com um sorriso encantador, e ele abriu os braços para recebê-la. O colégio inteiro observava tudo com certa apreensão, pois os mais velhos já haviam presenciado algumas brigas do casal, da época em que Cesário ainda era aluno da Corvinal.
- Querida, receba estas fl-
Cesário foi interrompido por um soco na boca. Nadya havia o atingido, e a boca e o nariz do namorado estavam sangrando. Uma onda de palmas e gritos inflou o salão, e os músicos pararam de tocar para tentar ajudar o jovem. A Profa. Minerva e alguns outros levantaram-se de surpresa e Dumbledore pareceu desconcertado, pela primeira vez em anos.
- Seu imbecil! - gritava ela. - Ainda tem coragem de aparecer aqui depois do que me fez, seu imprestável!
Como se não fosse o bastante para a confusão, Nadya pegou o belo ramalhete de flores e passou a espancar Zibban com ele, batendo-lhe bem na cabeça e nos braços. Os estudantes gritavam e batiam nas mesas, instigando o espetáculo; os professores não tinham reação nenhuma. McGonagall chegou a sair de seu lugar para tentar apartar tudo, mas o grupo já havia sido todo enxotado pela corvinal.
O resto do colégio ficou em silêncio quando Nadya encarou as quatro mesas, uma a uma. James e os outros pareciam em choque. (Remus chegou a pensar se Emma era tão forte quanto a amiga) Angelo, Daniel, David e Joey estavam boquiabertos, como se nunca tivessem visto uma briga de Nadya na vida.
- Estão olhando o quê? A palhaçada acabou! Voltem pros seus pudins! - berrou Nadya, retornando ao seu lugar de antes.
As meninas a receberam com abraços, mas ela não chorou, pelo contrário: ficou mais carrancuda que nunca. Filch e alguns professores correram em auxílio aos expulsos. Emma desviou sua atenção da amiga e deu de cara com o licântropo de seu coração: Remus a olhava com ternura, como se assim sempre o fizesse quando ela estava distraída.
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A briga de Nadya com o namorado Cesário virou sensação, alguns engraçadinhos até a imitavam e a cumprimentavam pelos corredores quando ela passava. As garotas revolucionárias - e as hippies - acharam o máximo a atitude da corvinal, e faziam questão de parabenizá-la pela atitude em pleno aniversário.
Depois de algumas semanas, com o advento das provas, nada daquilo - nem o tombo do coitado do prof. Flitwick em aula - estava em voga nas rodas de fofoca. Estas quase desapareceram no sétimo ano, graças aos N.I.E.M.'s. A presença de Evans ajudou muito nos estudos dos Marotos, pois ela conseguia, com pulso firme, por Sirius, James e Peter na linha, o que lhes garantiu boas notas nos exames finais.
Severo continuou um excelente aluno - mas cada vez mais sombrio. Raramente estava presente nas refeições, e vivia enfurnado nos laboratórios e mal deixava as masmorras. Emma lembraria-se pelo resto da vida da noite em que chorou quando percebera finalmente que Snape havia deixado o lado da Luz para aliar-se às Trevas. Era uma perda irremediável.
Por outro lado, algo que a felicitou demais fora o progresso do namoro de Rose e Stanford: os dois pareciam um par de estudantes casados infiltrado no castelo. Emma sorria ao ver que eles haviam achado sua alma gêmea. Restava ela achar a dela...
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